Memórias e alteridades

A edição 2018 do Congresso Internacional em Comunicação e Consumo (Comunicon) contou com a Mesa Temática “Memórias e alteridades na Cultura do Consumo”, com mediação de Mônica Rebecca Ferrari Nunes (PPGCOM ESPM). O LEMBRAR este presente: a professora Lucia Snta Cruz foi uma das palestrantes. Confira as reflexões que foram apresentadas:

Os tempos da nostalgia: reflexões sobre mercado, memória e cultura audiovisual” – Ana Paula Goulart Ribeiro (UFRJ). Uma reflexão sobre o mercado da nostalgia. Este mercado é caracterizado pela comercialização de objetos e narrativas que, apelando à memória emocional e afetiva de indivíduos e grupos, acionam o passado seja como referência histórica e cultural, como espaço de experiência ou ainda como modelo político ou estético. Com foco em um nicho específico deste mercado: o da produção audiovisual, mais especificamente a teleficção seriada brasileira.

A face civil do autoritarismo na ficção sobre a ditadura militar: um livro, um filme, uma série” – Teresa Neves (UFJF) e Fernanda Nalon Sanglard (UFMG)
Três narrativas ficcionais recentes (re)tematizaram as relações entre autoritarismo civil e ditadura militar no contexto da produção cultural brasileira. Os sentidos em circulação acerca dessa memória são investigados no romance K. (2012), de Bernardo Kucinski, no filme Aquarius (2016), de Kleber Mendonça Filho, e na supersérie da Rede Globo Os dias eram assim (2017), de Ângela Chaves e Alessandra Poggi.

Construção de Alteridades nas Memórias de Imigrantes Europeus no século XX” – Barbara Heller (UNIP) e Priscila Perazzo (USCS)
Ao estudarmos memórias de (i)migrantes, nos deparamos com a questão da alteridade, uma vez que nos processos em que se dão encontros de cultura por meio de diferentes sujeitos torna-se importante pensar o lugar do outro em uma relação dialógica e de valorização das diversidades. No entanto, noções simplificadas que recobrem os elementos do real e ignoram exceções perman

ecem rigidamente imunes à experiência e produzem estereótipos (BOSI, 2003, p. 117) sobre a imagem do outro diante de nós. Tais processos migratórios geram memórias traumáticas das situações-limite vivenciadas e podem provocar o silenciamento das testemunhas sobre o relato do passado, dificultando, dessa maneira a relação dialógica e a constatação da diversidade. Desse modo, a partir dessa problematização, serão apresentadas algumas narrativas de imigrantes, considerando que a memória desses sujeitos os torna visíveis na cultura do outro e possibilitam uma comunicação mediadora de relações de alteridade.

 

Nos sapatos de outrem” – Lucia Santa Cruz (ESPM RIO – GP Lembrar)
Em setembro de 2015, uma enorme caixa de sapatos ocupou os jardins de Southbank, nas margens do Tâmisa, em Londres. Dentro dela, o visitante encontrava calçados que pertenceram a outras pessoas. Escolhia um do seu tamanho e em seguida era convidado a percorrer uma milha enquanto ouvia a história do dono dos sapatos em um pequeno ipod. A experiência, chamada de A mile in my

shoes (uma milha nos meus sapatos) é um dos projetos do Museu da Empatia, uma iniciativa britânica itinerante que se dedica a ajudar as pessoas a olhar o mundo através dos olhos dos outros. Outra iniciativa, esta brasileira, o Museu da Pessoa, já contabiliza quase 3 décadas de existência, recolhendo histórias de pessoas comuns, disponibilizadas num site. Mais recentemente, passou a permitir que qualquer usuário se torne um curador, criando coleções de histórias, vídeos e imagens a partir do material do acervo. Em Nova Iorque, o projeto Stonewall Forever, com apoio do Google, quer reunir as histórias das pessoas que participaram em 1969 da Rebelião de Stonewall, cinco dias de manifestações da comunidade LGBTQ contra a repressão policial. O objetivo é lançar um memorial interativo em 2019, quando os acontecimentos completarão 50 anos, para amplificar e expandir a designação de um monumento já existente . Nesta fala, serão discutidas o que significa este olhar através dos olhos de outra pessoa, e como as memórias de vidas comuns vêm se tornando um item consumível, colecionável e ressignficado.

 

 

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